Graduação

Estudantes de Administração e setor de Projetos se unem para criar modelo de relatório de sustentabilidade

Atividade reúne alunos do 5º semestre e consultores para elaborar manual aplicável a qualquer instituição com foco no diagnóstico e na formulação de diretrizes ambientais, sociais e de governança   

Estudantes do 5º semestre de Administração da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo iniciaram um projeto aplicado para apoiar a elaboração de relatórios de sustentabilidade. A própria FESPSP servirá de modelo para a criação do manual. A atividade, desenvolvida na disciplina Gestão de Projetos e Trabalhos Aplicados, teve início na segunda semana de setembro e terá como primeira etapa a produção de um diagnóstico institucional.

O trabalho começou a partir de uma demanda do Departamento de Projetos da Fundação. A arquiteta Claudia Andrea Charlin Mardones, coordenadora do setor, e a cientista social Thainá Assoni, supervisora de projetos, apresentaram o desafio à turma conduzida pelas professoras doutoras Liliane Sartorio e Renata Queiroz, que coordena o curso de Administração.

A proposta é que os alunos trabalhem os aspectos ambientais, sociais e de governança, reunidos na sigla ESG (do inglês Environmental, Social and Governance), a partir de uma situação concreta da FESPSP. Em vez de desenvolver apenas um exercício acadêmico, a turma atuará diante de uma necessidade real, com prazos a cumprir, informações a apurar e um produto final que poderá ser aplicado à realidade operacional da Fundação e replicável a qualquer outra instituição.

“A ideia é integrar o conhecimento teórico dos alunos com a experiência prática institucional, gerando valor para ambas as partes”, explica Assoni.

Projeto de longo prazo

Mas o trabalho não vai ser encerrado com a entrega de um produto ao final do semestre. Isso porque a área de Projetos, na etapa inicial do plano, vai demandar um diagnóstico capaz de identificar e relacionar informações já existentes, lacunas a serem preenchidas e ações necessárias que permitam a construção do relatório de sustentabilidade da FESPSP.

Assoni conta que a intenção é garantir a continuidade do projeto sob a gestão de diferentes turmas de estudantes. A cada semestre, novos grupos deverão assumir etapas ou temas diferentes, contribuindo para a articulação e construção constante do relatório ao longo dos anos.

Entre os desafios está justamente reunir as informações necessárias. Os estudantes precisam conhecer diferentes áreas da instituição e acessar documentos e dados que auxiliem na confecção de um diagnóstico consistente. Para a FESPSP, isso também significa organizar o fluxo de informações e responder aos questionamentos elaborados pelas equipes.

A primeira reunião mostrou que a turma abraçou o projeto. Segundo a cientista social, os estudantes fizeram perguntas mais complexas do que o esperado e demonstraram interesse em compreender os desafios apresentados antes de partirem para a elaboração de soluções.

A disciplina Gestão de Projetos e Trabalhos Aplicados trabalha com clientes reais ao longo de vários semestres do curso. No 5º semestre, a turma de graduação passa a combinar fundamentos da gestão tradicional com práticas ágeis, como Scrum e ciclos de sprints.

A coordenadora Renata Queiroz explica que o objetivo é fazer com que os alunos sejam experimentados nas diferentes etapas de um projeto, do diagnóstico até a definição de objetivos, passando pela execução e, por fim, pelo estádio de validação. A metodologia também permite que os estudantes trabalhem competências que vão além da parte técnica, adquirindo expertises como liderança, organização de equipes, apresentação de propostas e tomada de decisão.

“O modelo será testado na prática. Pode não resolver 100% das demandas, mas gera soluções alternativas baseadas em pesquisa e em uma visão externa”, afirma Renata Queiroz.

Formação sob a ótica sustentável

A sustentabilidade já aparece no curso de gradução em Administração da FESPSP desde os primeiros semestres. Agora, a temática passa a ser trabalhada dentro de uma situação institucional concreta, considerando aspectos sociais, ambientais, de governança, ética e sustentabilidade financeira, adaptados à realidade de uma fundação sem fins lucrativos.

Para o curso, o resultado esperado não é apenas um trabalho acadêmico. A proposta é chegar a um produto que possa ser utilizado pela Fundação, inclusive na relação com parceiros, clientes e outros públicos.

A experiência também marca uma nova etapa na aproximação entre o Departamento de Projetos e a Escola. A relação já acontecia em outras iniciativas, como visitas de estudantes à área, participação de coordenadores de projetos em atividades de sala e oportunidades de estágio. Desta vez, porém, o setor entra diretamente como cliente de uma turma.

A expectativa é transformar essa experiência em uma parceria contínua. O trabalho iniciado com a turma do 5º semestre pode ser retomado por novas classes nos próximos períodos, permitindo que o relatório avance aos poucos e reúna contribuições de diferentes grupos de estudantes e professores.

Para os estudantes, a experiência coloca a gestão de projetos diante de uma situação que exige pesquisa, organização e diálogo com quem está do outro lado da demanda. Para a FESPSP, abre a possibilidade de transformar parte do conhecimento produzido na graduação em um instrumento que poderá orientar a própria instituição.

O projeto está agora na fase de diagnóstico. A partir das informações levantadas pela turma, serão definidos os próximos passos e as entregas possíveis para este primeiro ciclo de trabalho.


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