Especialistas do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da FESPSP analisam sondagem sobre desempenho dos dois principais candidatos à Presidência da República
Analistas do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Labop/FESPSP) avaliam o resultado da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (5/8). Para os especialistas, a sondagem aponta a consolidação do cenário de acomodação de forças na corrida ao Planalto, em que as movimentações de voto ocorrem estritamente dentro das bolhas ideológicas dos candidatos mais bem colocados na disputa presidencial.
A avaliação é que o redesenho das intenções de voto do eleitorado expõe um cenário ainda de polarização entre os campos da direita e da esquerda, mas que se mostra estável entre os candidatos, olhando a linha do tempo das pesquisas de opinião pública.
“Lula lidera, mas deixou de ampliar. Flávio ainda perde, mas voltou a crescer. A reunificação do bolsonarismo começa a proteger Flávio”, explica Jairo Pimentel, cientista político e pesquisador do Labop/FESPSP.
A sondagem aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém uma liderança sustentada por uma base social sólida — preservando 44% das intenções de voto no segundo turno e mantendo a aprovação de seu governo estável em 48% em agosto —, mas enfrenta uma barreira clara para expandir seu eleitorado, provavelmente em função do noticiário menos favorável ao governo recentemente.
“Realizada próxima ao final do período das convenções partidárias, a pesquisa indica a consolidação das tendências para as eleições presidenciais, com Lula apresentando uma base sólida, mas com dificuldade para aumentá-la”, acrescenta o cientista político Hilton Fernandes, também pesquisador do Labop.
Já o senador Flávio Bolsonaro (PL), por outro lado, parece ter unificado o campo da direita e recuperado o espaço perdido. O candidato da oposição avançou para 39% das intenções de voto em agosto (estava com 37% em julho), embora esse movimento esteja restrito às suas próprias fronteiras eleitorais.
“Esse cenário mostra o presidente cinco pontos à frente do senador nas simulações de segundo turno entre ambos, com as rejeições de ambos também muito elevadas e em situação de empate técnico, mas com Flávio Bolsonaro numericamente um ponto ou dois atrás de Lula”, diz o analista político Beto Vasques, coordenador do Labop/FESPSP.
Diferente de pleitos anteriores, a oscilação negativa de Lula e a reação positiva de Flávio não estão atreladas à economia, que permanece estável sob a ótica pública (com a expectativa de melhora nos próximos 12 meses subindo para 46% em agosto e a percepção de piora caindo para 24%), mas sim à comunicação estratégica.
“O único indicador que poderia ajudar a explicar essas alterações parece ser o noticiário menos favorável ao governo”, opina Vasques, ao se referir à tendência na qual as notícias negativas sobre a gestão federal alcançaram 44% em agosto, enquanto as positivas recuaram para 29%.
O teto atual do governo acende o sinal de alerta para a campanha petista. Pimentel explica que Lula encara um obstáculo típico de quem está no poder: embora a administração federal registre níveis de aprovação idênticos aos de desaprovação (ambos fixados em 48% em agosto), esse sentimento já não se converte automaticamente em desejo de reeleição por parte do eleitor — visto que 55% da população afirma que o presidente não merece mais 4 anos de mandato e 55% avalia que a direção do país está errada.
A pesquisa Genial/Quaest entrevistou presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais, entre 31 de julho e 3 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06591/2026.

