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Livro “Perspectiva ecológica da modernização chinesa” é lançado na FESPSP com debate sobre ecocivilização

Obra do economista Zhang Yongsheng apresenta o sistema de modernização com características chinesas e propõe uma reflexão sobre os limites ambientais da civilização industrial, marcada pela lógica destrutiva do modo de produção capitalista

A Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) realizou, na noite de quinta-feira (20/8), o lançamento do livro “Perspectiva ecológica da modernização chinesa”, do economista Zhang Yongsheng. A obra apresenta o conceito de ecocivilização e discute os limites ambientais do modelo de desenvolvimento industrial capitalista.

Realizado no auditório da faculdade, na Vila Buarque, o encontro reuniu especialistas para debater como a perspectiva ambiental adotada pela China pode repercutir nas cadeias globais de produção e influenciar os rumos da economia, da energia, do desenvolvimento e das relações internacionais. Assista ao vídeo com a íntegra do evento no perfil da FESPSP no YouTube. 

A mesa de debate foi formada pelo presidente do Conselho Superior da FESPSP, o médico Ubiratan de Paula Santos; pelo presidente da Fundação Maurício Grabois (FMG), o também médico Walter Sorrentino; pelo pesquisador da Cátedra Celso Furtado da Fundação, o professor Fernando Garcia; e pela professora do MBA Geopolítica da Transição Energética da Escola, a cientista política Ana Paula Bernardes.

Segundo o texto de apresentação da obra, o sistema de modernização com características chinesas propõe a superação dos limites da civilização industrial, marcada pela lógica destrutiva do modo de produção capitalista. Os especialistas discutiram o potencial da transformação ecológica da China para influenciar o futuro da economia, da energia, do desenvolvimento e das relações internacionais – tanto no Brasil quanto no mundo.

Para Ubiratan de Paula Santos, o modelo de civilização ecológica criado pela China possui características particulares, em razão da estrutura política e social do país. Ele avalia, no entanto, que outras nações podem incorporar elementos que tornaram possível a transição verde de uma sociedade com padrões de consumo caracterizados por alto gasto energético e grande impacto ambiental.

“Lendo o livro, dá para entender que há uma determinação política do Estado, liderada pelo Partido Comunista Chinês, de apostar na transição de uma sociedade que cresceu sob um regime de cunho socialista, mas com base em uma produção industrial bastante poluente”, afirmou o presidente do Conselho Superior da FESPSP.

Santos lembrou que o processo de transformação ecológica da China não é recente, entretanto tem sido acelerado pelo governo local nos últimos quinze anos.

Walter Sorrentino concordou com Santos e avaliou que o modelo de desenvolvimento adotado pela China, do ponto de vista ambiental, precisa ser observado e, de alguma maneira, replicado à maneira brasileira.

Para o presidente da FMG, a obra está a serviço da modernização chinesa, processo acelerado em 2012, com a ascensão do presidente Xi Jinping, e que entrou em uma nova era a partir de 2017. “É preciso falar da China. Quem não entende China, quem não pensa como a China chegou aonde chegou, não entende o mundo, não compreende o mundo e não entende a dinâmica que está posta hoje em movimento”, afirmou Sorrentino.

O professor Fernando Garcia contextualizou o processo acelerado de desenvolvimento da China, que seguiu, durante décadas, modelos praticados pelo Ocidente para se tornar uma grande potência. “Se, pela parte econômica, essa olhada chinesa para nações ocidentais parece ter dado certo, não podemos falar o mesmo da parte ecológica”, afirmou.

Na avaliação de Garcia, os chineses não encontraram uma saída para os seus desafios de perspectiva ambiental. “A China teve de retirar da sua história e de sua formação política e social as ferramentas necessárias para desenvolver o que eles chamam de ‘sociedade ecológica’”, explicou o professor da FESPSP.

Garcia acrescentou que a civilização ecológica representa um novo paradigma de sociedade. “Essa contradição entre desenvolvimento e meio ambiente é, talvez, uma das chaves principais de construção de futuro, de construção de nação. E a China parece ter encontrado isso, segundo descreve o professor Zhang Yongsheng.”

 

Modelo de desenvolvimento chinês

O livro integra a série “Seis Perspectivas da Modernização Chinesa”, organizada pelo pesquisador do socialismo Jiang Hui, ex-vice-presidente da Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS). A coleção traça um panorama do modelo de desenvolvimento da China a partir de seis eixos: mundo, valores, história, civilização, democracia e ecologia.

Embora tenha conteúdo científico e acadêmico, a obra foi publicada com o objetivo de explicar ao público chinês como vêm sendo sistematizadas, neste século, as formulações sobre a modernização do país a partir dessas seis perspectivas.

“O livro é importante para entendermos para onde a China está caminhando”, afirmou Ana Paula Bernardes, que integra o Grupo de Pesquisa Transformação Ecológica e Diversificação Energética da Fundação Maurício Grabois.

A professora destacou, ainda, que a discussão apresentada pela coleção ultrapassa a dimensão ambiental e envolve uma reflexão mais ampla sobre o futuro da humanidade.

“Contudo, a obra mostra que a China apresenta ao mundo uma questão que não é apenas ambiental. Os seis volumes da coleção apresentam, basicamente, a questão de qual modelo de desenvolvimento a humanidade vai querer para o século XXI. E, quando falo da questão de que modelo, eu falo no contexto da geopolítica da sustentabilidade”, finalizou a docente da FESPSP.

 

Serviço

Livro “Perspectiva ecológica da modernização chinesa”
Autor: Zhang Yongsheng
Tradutor: Bernardo Joffily
ISBN: 978-65-89805-62-5
Editoras: Fundação Maurício Grabois e Editora Chongqing
Ano de publicação: 2026
Edição: 1ª
Páginas: 176


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