Embora a polarização siga organizando a disputa, o crescimento da terceira via e o voto de desconforto fragmentam o primeiro turno e impõem desafios aos líderes da corrida ao Palácio do Planalto.
A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (2/9), aponta Lula (PT) com 37%, Flávio Bolsonaro (PL) com 29% e Augusto Cury (Avante) com 10% das intenções de voto no cenário de 1º turno. Para especialistas do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (LABOP/FESPSP), os resultados mostram o acirramento da corrida presidencial e ampliam a importância dos eleitores ainda não alinhados aos dois candidatos que lideram a disputa.
Divulgado a 32 dias do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro, o levantamento mostra oscilações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro dentro da margem de erro. Em relação à rodada anterior, o petista passou de 38% para 37%, enquanto o senador oscilou de 31% para 29%. Augusto Cury, por sua vez, subiu de 2% para 10% e alcançou dois dígitos nas intenções de voto.
No cenário de 1º turno, os dois candidatos que lideram a disputa registraram oscilações nas intenções de voto. Enquanto Lula oscilou de 38% para 37%, Flávio Bolsonaro oscilou de 31% para 29%. O crescimento de Cury se confirma, e o psiquiatra alcança os dois dígitos, chegando a 10% das intenções de voto nesta rodada da Quaest.
Os especialistas do LABOP concordam que o avanço de Augusto Cury e o estreitamento da distância entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro confirmam que o foco do pleito se volta para o eleitor não alinhado e para a migração de votos, fatores que podem decidir o resultado da disputa eleitoral à Presidência da República.
O analista político e coordenador do LABOP/FESPSP, Beto Vasques, acrescenta que a situação de empate técnico entre Lula e Flávio, verificada na simulação de 2º turno, tem se aproximado de um empate numérico, o que torna o processo eleitoral ainda mais instável. O presidente da República alcança 42% das intenções de voto (tinha 43% na rodada anterior) contra 41% do senador (tinha 40%).
“O foco estratégico da disputa agora se divide em três dimensões: o comportamento do eleitor indeciso e pendular; o peso do eleitor abstencionista ou que opta pelo voto em branco e nulo; e a dinâmica de migração dos votos de candidatos como Cury, Caiado, Renan e Zema do primeiro para o segundo turno”, opinou Vasques.
Desafios eleitorais do governo
Na opinião do cientista político e professor Hilton Fernandes, enquanto Lula (37%) e Flávio (29%) demonstram estabilidade em seus patamares de 1º turno eleitoral, Cury parece crescer principalmente entre eleitores de Renan, Caiado e Zema, que registram oscilações negativas.
“Esse dado chama a atenção por ocorrer justamente em um período de maior exposição e crescimento do conhecimento público sobre esses candidatos, contrariando o que se espera tradicionalmente nesta fase das campanhas eleitorais”, analisou Fernandes, que também é pesquisador do LABOP.
Fernandes, no entanto, alerta que o desenho atual das pesquisas de intenções de voto impõe barreiras complexas ao atual governo. “Para Lula, o cenário apresentado pela Quaest é desafiador, pois aponta para uma movimentação dos eleitores em torno de candidaturas de oposição, o que torna o segundo turno mais difícil para o presidente da República”, avalia o cientista político da FESPSP.
A sondagem eleitoral da Quaest também mostra um empate numérico, em 43%, quando os eleitores pesquisados são perguntados sobre o que mais temem: a volta da família Bolsonaro ao poder ou a manutenção de Lula da Silva no Palácio do Planalto. Nesse caso, o percentual relativo à manutenção de Lula subiu dois pontos percentuais (era de 41% em 15 de agosto), enquanto o relacionado à volta da família Bolsonaro caiu dois pontos (era de 45%).
Voto de desconforto para Cury
Na visão do cientista político Jairo Pimentel, os dados apresentados pela atual nova pesquisa da Quaest sugerem que Flávio Bolsonaro tem demonstrado “crescente eficiência” em canalizar o sentimento antipetista diretamente em intenções de voto.
No que diz respeito a Augusto Cury, Pimentel avalia que o crescimento nas intenções de voto em favor do psiquiatra não sinaliza necessariamente uma guinada dos eleitores para o centro ideológico, mas sim a expressão de um “voto de desconforto com as duas candidaturas dominantes”, composto por cidadãos que procuram romper com a escolha binária entre PT e PL.
“O ponto decisivo, portanto, deixa de ser quem lidera agora e passa a ser quem terá maior capacidade de incorporar, na reta final, esse contingente ainda não plenamente alinhado aos dois polos”.
A Quaest ouviu um universo de 2.004 pessoas de 16 anos ou mais entre 30 de agosto e 1º de setembro em todas as regiões do país. A sondagem tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. A pesquisa de intenções de voto foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07065/2026.

