A equipe do Instituto Walter Leser (IWL), da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), inicia neste mês de outubro sua primeira parceria internacional para analisar o financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS). A cooperação reúne a Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP), a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e a Queen Mary University of London, da Inglaterra, para avaliar a distribuição de recursos federais destinados à atenção primária à saúde.
A pesquisa abrangerá 2.612 municípios de nove estados, quase metade dos 5.570 municípios brasileiros. O objetivo é avaliar o modelo de alocação de recursos federais para o cofinanciamento da atenção básica, considerando as disparidades regionais e a equidade na distribuição dos recursos destinados aos municípios.
Intitulado “Avaliação da modelagem de alocação de recursos financeiros federais para a atenção primária à saúde: disparidades inter-regionais no Brasil”, o estudo tem coordenação geral do professor doutor Áquilas Nogueira Mendes, docente titular do programa de pós-graduação em Saúde Pública da FSP/USP, instituição proponente do projeto.
A primeira atividade do grupo será a I Oficina de Trabalho, marcada para esta terça-feira (6/10), no campus da FESPSP, na Vila Buarque.
Segundo a economista da saúde Mariana Alves Melo, pesquisadora do IWL, o encontro presencial reunirá professores, pesquisadores e estudantes envolvidos no projeto. Representantes da Queen Mary e da UFAL participarão de forma virtual. Além de Melo, a coordenadora geral do IWL, a médica sanitarista e doutora em Saúde Coletiva Aparecida Linhares Pimenta também participará da pesquisa.
Financiamento do projeto
O projeto foi apresentado pela FSP/USP à Chamada Universal CNPq/FNDCT nº 06/2026, que oferece financiamento federal para projetos de pesquisa científica, tecnológica e de inovação em qualquer área do conhecimento. A divulgação do resultado preliminar está prevista para 3 de novembro.
De acordo com Melo, a proposição tem grandes possibilidades de êxito por abordar um tema de enorme relevância para o SUS e muito atual – dadas as alterações recentes dos modelos alocativos da Política Nacional de Atenção Básica, com mudanças programadas a partir de janeiro de 2027.
Construção de política pública de saúde
Para Melo, a cooperação internacional amplia as oportunidades de pesquisa do IWL e sua contribuição para as políticas públicas. Entre os objetivos que motivam a participação, a pesquisadora destaca a possibilidade “de participar da construção da política junto ao Ministério da Saúde”.
“A parceria fortalece a produção de pesquisas do Instituto Walter Leser na FESPSP e amplia sua atuação no campo da saúde coletiva”, avalia a pesquisadora do IWL. Para Aparecida Linhares Pimenta, a pesquisa reúne instituições de excelência e pode ter impacto significativo. “A busca de equidade de financiamento federal para a atenção básica é tema muito caro para a saúde pública e uma pesquisa dessa envergadura certamente pode contribuir para o fortalecimento do SUS”, diz a coordenadora do instituto.
Em ofício enviado à direção da FESPSP, Áquilas Mendes agradeceu a contribuição do IWL e destacou que a cooperação científica “será de extrema relevância para a construção de uma pesquisa fundamental para o SUS e com desdobramentos práticos para o seu processo de aprimoramento”.

