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Em cenário eleitoral tão acirrado, estabilidade nos indicadores pode ser sinal positivo para Lula

Última pesquisa Datafolha mostra empate técnico do presidente com Flávio Bolsonaro por 47% a 45% em um eventual 2º turno, mas petista mantém liderança numérica e avaliação negativa do governo cai dois pontos

Divulgada a dez dias do 1º turno da eleição presidencial de 2026, a nova pesquisa Datafolha, de quinta-feira (24/9),  traz boas e más notícias para ambos os candidatos na liderança, segundo os analistas políticos do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Labop/FESPSP). Por um lado, os dados confirmam a consolidação do cenário de estabilidade e de polarização cristalizada dos votos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), configurando, de certo modo, a reedição do pleito de 2022, quando a oposição obteve vitória apertada de apenas 1,8% a mais de votos do que o incumbente da época. Por outro, essa mesma estabilidade consistente do petista na liderança numérica com 47% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% de Flávio Bolsonaro, mostra que, depois de semanas com a exposição da crise do Supremo, não houve alteração nas intenções de voto dos principais candidatos.

No entendimento do cientista político Hilton Fernandes, divergindo de outros institutos, o Datafolha sinaliza vantagem estratégica para a campanha governista, ao mostrar resiliência de Lula diante do intenso noticiário político recente. O incumbente se mantém “consistentemente à frente de Flávio Bolsonaro, ainda que empatados na margem de erro no cenário de segundo turno (47% contra 45% de Flávio) e no limite da margem de erro no primeiro turno (40% contra 36%)”, diz Fernandes.

Mesmo com melhora discreta, a percepção da administração federal também trouxe fôlego técnico para o atual mandatário. Em uma eleição tão acirrada, em que cada ponto pode ser determinante para a vitória, a queda de 2 pontos percentuais na avaliação negativa do governo, passando de 42% para 40%, enquanto a positiva se manteve em 34%, não deixa de ser uma boa notícia para a campanha de Lula, avalia o cientista político.

A avaliação da atual gestão federal, indica o Datafolha, também apresentou uma melhora discreta. Em uma eleição acirrada, na qual cada ponto pode ser determinante, a queda de dois pontos percentuais na avaliação negativa do governo, de 42% para 40%, enquanto a positiva se manteve em 34%, representa uma boa notícia para a campanha de Lula, avalia o pesquisador do Labop FESPSP.

Metodologias diferentes, resultados diversos

Fernandes chama a atenção para o comportamento do eleitorado captado pela sondagem do Datafolha, que vai na contramão dos resultados de levantamentos divulgados por outros institutos nesta mesma semana. Para o cientista político, a divergência reforça o debate sobre as diferentes metodologias de amostragem. O desenho amostral do Datafolha, baseado em entrevistas realizadas em pontos de fluxo nas cidades, pode ajudar a explicar a manutenção da vantagem numérica de Lula. 

A última pesquisa Datafolha registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-00304/2026 foi realizada entre os dias 22 e 24 de setembro com 2.002 eleitores. Seus resultados apresentam margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.

Quem decidirá a próxima eleição presidencial

Com a rejeição rigorosamente empatada em 45%, a definição do pleito deverá depender de segmentos específicos do eleitorado, avalia o analista político Beto Vasques, coordenador do Labop/FESPSP.

Na avaliação do pesquisador, a escolha do próximo presidente da República do Brasil dependerá dos eleitores pendulares — aqueles sem posição ideológica definida, que oscilam entre os candidatos e são mais sensíveis ao noticiário — e do perfil da abstenção no dia da eleição, marcada para domingo, 4 de outubro. 

Confira abaixo a íntegra das análises do cientistas políticos do Labop FESPSP

>>> Beto Vasques – analista político, pesquisador e coordenador do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais (Labop) da FESPSP.

Cenário de estabilidade total, com ambos os candidatos em situação de empate técnico com o presidente numericamente 2 pontos percentuais na frente — Lula 47% contra 45% de Flávio. Os mesmos dois pontos das últimas quatro rodadas e quase coincidindo com a média das onze rodadas do Datafolha ao longo de todo o ano, na qual o presidente registra 46,4% e o senador 43,9%, uma diferença de 2,5%.

Também quase o mesmo resultado do segundo turno de 2022, quando Lula teve 1,8% a mais que Bolsonaro pai, confirmando o que vínhamos dizendo desde o começo do ano, de uma eleição como espécie de terceiro turno de 2022, um tira-teima entre os sobrenomes Lula da Silva e Bolsonaro.

A rejeição volta a registrar empate pela terceira rodada seguida, em 45%, próxima à média das 11 rodadas, na qual ambos os candidatos alcançam média de 46%. Na espontânea, registra-se a queda esperada do número de indecisos, caindo de 44% para 18% na rodada desta quinta-feira, uma queda de 26 pontos percentuais. Os dois primeiros candidatos cresceram, na série histórica, 27%, retendo todos os indecisos que se decidiram no período.

Eventuais mudanças nesse cenário de tanta estabilidade e tão acirrado estarão, voltamos a reforçar, entre os eleitores pendulares, muito sensíveis ao noticiário, e no perfil da abstenção no dia da eleição.

>>> Hilton Fernandes – cientista político, pesquisador e professor do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais (Labop) da FESPSP.

Com mais uma rodada de resultados estáveis, apesar da quantidade de notícias políticas das últimas semanas, a pesquisa Datafolha acaba por ser favorável à campanha do presidente Lula por mostrar o candidato consistentemente à frente de Flávio Bolsonaro, ainda que empatados na margem de erro no cenário de segundo turno (47% contra 45% de Flávio) e no limite da margem de erro no primeiro turno (40% contra 36%).

Apesar de as diferenças serem na margem de erro, os resultados do Datafolha diferem de pesquisas divulgadas pelos principais institutos nesta semana por manterem Lula à frente de Flávio no cenário de segundo turno. Uma possível explicação é a metodologia utilizada pelo Datafolha, que faz as entrevistas em pontos de fluxo, ainda que sejam feitas ponderações para calibrar a amostra.

Outro resultado relevante é o de avaliação de governo, que apresentou uma oscilação negativa de 2 pontos percentuais na avaliação negativa, passando de 42% para 40%, enquanto a positiva se manteve em 34%. Aparentemente, a cristalização das intenções de voto que costuma ocorrer na reta final das eleições, que leva os eleitores a manterem suas posições a despeito de novas informações, tem apoiado o desempenho dos dois principais candidatos neste primeiro turno.


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