Institucional

Observatório Metropolitano Paulista da FESPSP reúne dados de 75 municípios em plataforma digital

Painel digital organizado pela Fundação em parceria com a Secretaria Nacional de Periferias e o Ministério das Cidades reúne indicadores sobre quatro regiões metropolitanas paulistas e amplia o acesso a informações para o planejamento urbano

A Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) lançou, na segunda-feira (3/8), a plataforma de inteligência territorial do Observatório Metropolitano Paulista (OMP) para ser um painel digital dedicado à produção de conhecimento e ao fortalecimento da gestão pública nas regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas, Baixada Santista e Jundiaí. A iniciativa é realizada em parceria com a Secretaria Nacional de Periferias e o Ministério das Cidades, no âmbito do Programa Periferia Viva.

O lançamento foi marcado pela realização do seminário “Dinâmicas Populacionais e Urbanização: Periferia e Metrópole”, no auditório do campus da FESPSP, na Vila Buarque, região central da cidade de São Paulo. O encontro inaugurou o ciclo de seminários do Observatório e apresentou ao público a plataforma digital, suas funcionalidades e a proposta de disponibilização de informações sobre os territórios metropolitanos paulistas.

De acordo com o Prof. Dr. Paulo Silvino, coordenador geral do grupo de monitoramento e coordenador da pós-graduação em Gestão Pública da FESPSP, a iniciativa pretende gerar conhecimento que extrapole o debate acadêmico por meio de um processo permanente de escuta.

“Não faz sentido ter um observatório para produzir discussões acadêmicas sobre as grandes questões nacionais sem ouvir as outras partes, sem ouvir lideranças, sem ouvir a periferia. É claro que discussões acadêmicas são importantes, mas, para além disso, criaremos canais e fóruns de escuta permanente para que esse público se aproprie da nossa produção e produza juntos, evidentemente, aquilo que pode ser entendido como tecnologia social para a produção de políticas públicas”, explica o educador.

Os bancos de dados referentes às quatro regiões metropolitanas estão sendo reunidos em um ambiente digital aberto. A plataforma foi estruturada para organizar dados secundários, produzir informações inéditas e disponibilizar progressivamente mais de 140 indicadores multidimensionais relacionados a 75 municípios, onde vivem aproximadamente 26,7 milhões de pessoas. O território abrangido conecta municípios do interior, da capital e do litoral paulista.

A proposta é facilitar o acesso de gestores municipais, pesquisadores, estudantes, lideranças territoriais e cidadãos a informações que possam fundamentar diagnósticos, decisões administrativas e políticas públicas.

Ao reunir os dados em um único espaço, o OMP busca contribuir para o planejamento territorial baseado em evidências e para a identificação de desigualdades existentes dentro de uma mesma região metropolitana e entre diferentes municípios.

O painel digital de indicadores está organizado em dez dimensões temáticas: demografia e dinâmicas populacionais; dinâmicas econômicas; mobilidade, acessibilidade e integração metropolitana; políticas públicas urbanas e sustentabilidade; meio ambiente, riscos e resiliência climática; educação e capacitação profissional; saúde e bem-estar; segurança pública, acesso à justiça e cidadania; desigualdade e exclusão social; e capacidade estatal, governança e cooperação regional.

Os indicadores permitem acompanhar parâmetros como crescimento populacional, envelhecimento, migração, emprego, renda, déficit habitacional, saneamento, deslocamentos cotidianos, infraestrutura urbana, cobertura de serviços públicos, riscos ambientais, violência, pobreza e capacidade administrativa dos municípios.

Parte das informações já pode ser consultada, enquanto novos indicadores serão incorporados progressivamente ao painel.

Mais do que funcionar como um simples repositório de conteúdo, o Observatório pretende transformar as informações reunidas em instrumentos para a formulação, o monitoramento e a avaliação de políticas públicas.

A análise conjunta dos municípios parte do entendimento de que problemas como mobilidade, habitação, saneamento, desenvolvimento econômico e vulnerabilidade social ultrapassam os limites administrativos de cada cidade e exigem formas de cooperação metropolitana.

Entre autoridades e representantes de organizações e gestões municipais envolvidas no projeto prestigiaram o evento a vice-prefeita de São Bernardo do Campo, Jessica Paula Cormick Santos; o secretário municipal de Habitação de Campinas, Eduardo Magoga; o deputado estadual Maurici; o secretário adjunto de Habitação de Campinas, Marcelo Ferreira da Silva; secretária municipal de Planejamento da Praia Grande, Josie Yabuta de Lima Hollanda; o chefe de gabinete da Secretaria Municipal de São Paulo, Marco Antonio Vilela Santos; o representante do deputado estadual Rômulo Fernandes, Willians Bezerra; os integrantes do Mandato Coletivo JuntOz na Câmara de Vereadores de Osasco, Gabriela Bueno e Matheus Oliveira; além da analista de Desenvolvimento Urbano da Praia Grande, Luisa Rodrigues de Paduan; do representante da diretoria de Habitação de Suzano, Miguel Reis Afonso; das diretoras do Instituto Telma de Souza, Marcia Reis e Maria do Rosário.

 

Formação e articulação territorial

A atuação do OMP está estruturada em três eixos de atuação: a plataforma digital de dados, os programas de capacitação (coordenados pela Profa. Dra. Caroline Cotta de Mello Freitas) e os seminários permanentes (coordenados pela Profa. Dra. Tathiana Chicarino).

O painel apresenta inicialmente cursos sobre dinâmicas populacionais e urbanização; estrutura econômica e competitividade regional; mobilidade e acessibilidade metropolitana; e habitação e desafios da sustentabilidade urbana. As formações combinam aulas e atividades extraclasse, com certificação de participação pela FESPSP, e são destinadas a agentes públicos, lideranças comunitárias, integrantes de movimentos sociais, pesquisadores e estudantes interessados em gestão pública, periferias e desenvolvimento urbano.

Já os seminários permanentes foram concebidos como espaços de encontro entre pesquisa científica, gestão pública e conhecimento produzido pelas comunidades. Os ciclos serão realizados nos territórios das quatro regiões metropolitanas e deverão reunir gestores, especialistas e lideranças locais para validar diagnósticos, identificar demandas e formular recomendações destinadas ao poder público.

As contribuições apresentadas durante os encontros serão sistematizadas em relatórios técnicos de subsídio à gestão pública. A intenção é transformar os debates e as experiências territoriais em recomendações que possam orientar prioridades de investimento, ampliar a participação cidadã e fortalecer o controle social sobre as políticas urbanas.

Ao articular dados, formação e diálogo territorial, o Observatório Metropolitano Paulista amplia a atuação da FESPSP na produção e na difusão de conhecimento aplicado às políticas públicas. A plataforma também reforça a aproximação entre universidade, poder público e sociedade civil na busca por respostas compartilhadas para os desafios das periferias e das metrópoles paulistas.


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