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Analistas da FESPSP avaliam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em pesquisa Quaest

Primeira sondagem de intenções de votos pós-convenções partidárias mostra consolidação da oposição, compressão da vantagem governista e esvaziamento das candidaturas de terceira via

Analistas políticos do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (LABOP/FESPSP) avaliam que a pesquisa Quaest divulgada na sexta-feira (14/8) aponta redução da distância entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Na simulação de segundo turno, a sondagem aponta empate técnico entre Lula, com 43%, e Flávio, com 40%. Para os especialistas, a aproximação pode estar associada à piora na percepção popular sobre a economia e à rejeição superior a 50% registrada por ambos.

Trata-se do primeiro levantamento de intenções de voto à Presidência da República realizado pela Quaest após as convenções partidárias de agosto. A sondagem também foi a última pesquisa do instituto divulgada antes do início oficial da propaganda eleitoral, em 16 de agosto.

Para os analistas políticos do LABOP, a pesquisa divulgada a menos de dois meses do 1º turno das Eleições 2026, marcado para 4 de outubro, indica compressão da distância entre Lula e Flávio Bolsonaro. “Trata-se do segundo levantamento seguido do instituto, em menos de um mês, em que o senador encurta a distância em relação ao presidente. As duas simulações de segundo turno ficaram dentro da margem de erro, e a diferença entre eles foi reduzida em cinco pontos”, explica o analista político e coordenador do LABOP, Beto Vasques.

Viabilidade de uma terceira via

A avaliação compartilhada pelos especialistas da FESPSP é que o cenário acomoda a polarização política, reduz as chances de uma terceira via e estabelece uma base rígida de votos, com teto limitado e alta rejeição para ambos os lados.

“Um possível fator que explicaria o baixo impacto das notícias positivas ou negativas para os dois candidatos é a alta rejeição pessoal, acima de 50%, combinada a uma base eleitoral fiel. Esse quadro leva o eleitor a votar por contraposição ou a escolher o ‘menos pior’ dos dois. Também pode ter afetado a avaliação da gestão atual, que voltou a registrar saldo negativo, com 48% de desaprovação e 46% de aprovação”, comenta o cientista político Hilton Fernandes, pesquisador do LABOP.

No cenário de primeiro turno, também existe um movimento de concentração do votos divididos entre Lula e Flávio Bolsonaro, observa o pesquisador do LABOP Jairo Pimentel, à medida que candidatos alternativos como Renan Santos (4%), Ronaldo Caiado (4%) e Romeu Zema (2%) patinam nas intenções

“Lula marca 38% e Flávio, 31%, enquanto nenhum dos demais candidatos ultrapassa 4%. Isso mostra que o senador tem conseguido consolidar a maior parte do eleitorado de oposição e reduzir o espaço disponível para uma candidatura alternativa de direita ou de centro”, analisa Pimentel.

Percepção sobre a economia

Segundo Vasques, a percepção do eleitor em relação à economia pode ser uma das hipóteses para explicar a oscilação que aproximou ainda mais o presidente e o senador na última pesquisa da Quaest.

“As oscilações nos indicadores eleitorais favoráveis a Flávio coincidem com o aumento do grupo de eleitores que apontam piora da economia nos últimos 12 meses, que saltou de 43% para 49% em apenas nove dias, entre a rodada da Quaest anterior (05/8) e a da última sexta-feira (14/8)”, analisa o coordenador do LABOP.

Alta rejeição limita crescimento

Mas os dados sobre a opinião do eleitorado merecem atenção, ressalta Fernandes. “Por se tratar da primeira grande pesquisa divulgada após as convenções que definiram os candidatos, os resultados da Quaest servem como referência para o início da campanha.”

Na avaliação do pesquisador, como consequência dessa acomodação, “é de esperar que os concorrentes adotem cada vez mais discursos emocionais, polarizadores ou extremistas para atrair a atenção do eleitorado”. Essa dinâmica, na opinião de Fernandes, pode prejudicar a campanha petista, que precisará equilibrar a demonstração de resultados práticos com a recuperação da imagem do presidente.

Disputa em processo de compressão

Sob a ótica da engenharia eleitoral, é preciso qualificar o chamado “empate técnico”, porque mais relevante do que a oscilação de uma rodada é a trajetória acumulada de aproximação entre os dois concorrentes, segundo Pimentel.

Para o pesquisador, o ritmo de transferência e de ganho de votos entre os turnos reforça a resiliência das candidaturas majoritárias. “Flávio cresce nove pontos entre o primeiro e o segundo turno, enquanto Lula avança cinco. Isso sugere que, neste momento, o senador está agregando com maior eficiência o voto anti-Lula”, afirma o analista político do Labop.

“Ao mesmo tempo, o presidente conserva a liderança porque mantém uma base eleitoral mais robusta e porque o adversário ainda enfrenta dificuldades para ultrapassar o teto do bolsonarismo e construir maioria”, conclui Pimentel.

A Quaest entrevistou presencialmente 2.004 eleitores entre 10 e 13 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi realizado pela Quaest, contratado pela Editora Globo e pela TV Globo e registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06773/2026. Os dados metodológicos constam no relatório da Quaest.


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