Organizado por estudantes e egressos da FESPSP desde 2013, periódico científico eletrônico passa a utilizar plataforma recém criada para revistas da instituição e já prepara nova edição para dezembro
A revista científica discente Alabastro, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), retoma suas atividades com o lançamento da 16ª edição e a migração para o novo portal de periódicos da instituição. Organizada voluntariamente por estudantes e egressos da Escola, a publicação reúne quatro artigos e três resenhas sobre temas contemporâneos da ciência social.
Após um hiato de aproximadamente dois anos sem publicações, a Alabastro teve a equipe editorial reestruturada e passa a ser hospedada em uma versão atualizada do Open Journal Systems (OJS), plataforma de software livre e código aberto desenvolvida para a administração de periódicos científicos. A 16ª edição é resultado de textos submetidos em 2023 e 2024 e marca ainda a superação de entraves tecnológicos relacionados aos efeitos da pandemia. Leia ou baixe gratuitamente a revista na íntegra aqui.
A editora-chefe da revista, Jéssica Cristina de Souza, comemora o lançamento e destaca o esforço coletivo que permitiu a retomada do periódico semestral. Egressa da FESPSP, a socióloga passou a integrar a equipe da revista em abril de 2020, inicialmente como revisora de textos.
“Aprendi na Alabastro que, assim como nenhum processo científico é feito de maneira solitária, nenhuma revista é publicada sem parceria e engajamento dos pares. Somos muitas pessoas comprometidas em levar adiante o desejo do primeiro coletivo de estudantes que, em 2013, planejou fazer uma revista com a proposta de debater Ciências Sociais e contribuir com o debate científico qualificado da área”, afirma Jéssica.
Além dela, a 16ª edição contou com a participação de Alice Hudson Braga como editora-assistente. A diagramação também foi realizada pela dupla. Já o Conselho Editorial da revista inclui egressos e docentes da Escola de Sociologia e Política conectados também a outras instituições, como CEBRAP, PUC-SP e Insper.
Apoio ao protagonismo discente
Para a Profa. Dra. Tathiana Chicarino, coordenadora do curso de Sociologia e Política da FESPSP, a Alabastro não deve ser compreendida somente como uma atividade extracurricular. Isso porque o periódico funciona também como canal para a circulação da produção científica desenvolvida dentro e fora das salas de aula. “A proposta da Alabastro é dar autonomia aos estudantes, mas com o nosso apoio”, explica ela, que também coordena a Comissão de Pesquisa da Fundação e integra a comissão editorial da revista. “A Alabastro é parte do desaguamento da produção científica dos estudantes”, ressalta a professora, que publicou um artigo na edição de estreia da revista, em 2013.
Trabalhos de iniciação científica, pesquisas desenvolvidas com apoio institucional e artigos elaborados em disciplinas podem ser preparados para submissão. A publicação também acolhe estudos de pesquisadores de outras instituições.
O apoio institucional inclui orientação acadêmica, infraestrutura tecnológica, formação editorial, divulgação e mobilização de professores e pesquisadores para a avaliação dos trabalhos.
“A retomada da Alabastro reafirma o compromisso da FESPSP com a produção e a circulação do conhecimento acadêmico”, afirma o diretor acadêmico da instituição, Rafael Rodrigues da Costa. “Como revista discente, ela ocupa um espaço estratégico de formação e divulgação da produção de nossos estudantes. E esse relançamento acontece junto à estreia do novo Portal de Revistas da FESPSP, ampliando o alcance de nossas publicações científicas.”
O trabalho de renovação tecnológica e criação do Portal de Revistas foi conduzido pela equipe da Biblioteca da Fespsp e da Editora Sociologia e Política. Outros periódicos serão disponibilizados na plataforma, como a Cadernos de Economia e Política, revista da Cátedra Celso Furtado, mas, por enquanto, além da publicação da Alabastro em si, por meio da plataforma é possível ainda conduzir as etapas de submissão, avaliação e edição dos artigos.
Legado de uma década
Um dos responsáveis pela criação da Alabastro em 2013, o sociólogo Rafael Balseiro Zin recorda o ambiente acadêmico que permitiu o lançamento da primeira edição. Ele relembra a mobilização estudantil que transformou a proposta de divulgação científica em uma publicação que já caminha para a segunda década de existência.
“A gente era muito apaixonado pela Escola, pelo ambiente, pelas pessoas e até pelas contradições. Queríamos cuidar da Escola e criar aquilo que imaginávamos que ela precisava”, contou o ex-aluno. De acordo com Zin, a ideia começou a tomar forma entre 2010 e 2011, em um período marcado pela ampliação das políticas de iniciação científica oferecidas pelo governo federal e por transformações na própria FESPSP.
A proposta surgiu da necessidade de criar um espaço próprio para divulgar os primeiros trabalhos científicos desenvolvidos pelos alunos da Escola de Sociologia e Política. “A revista também pretendia acolher contribuições de cientistas de outras instituições e áreas das Ciências Humanas. A gente começou a pensar: ‘Se não temos um espaço para veicular essa produção, então vamos criar uma revista dos alunos’”, recorda-se Zin.
Quatro artigos e três resenhas
A 16ª edição do periódico reúne trabalhos sobre imprensa, pandemia, economia da cultura, extremismo, partidos políticos, cinema, sistema prisional e literatura.
O artigo “De representações violentas a solidárias? Paraisópolis (pandêmica) segundo a imprensa paulistana” investiga como a comunidade foi apresentada durante parte da pandemia de Covid-19.
O trabalho é assinado por Guilherme Olímpio Fagundes, João Pedro Gomes Balanco, Iara Silva Miranda de Oliveira, Hannah Lourdes Ramos e Antonio José de Medeiros Júnior. A pesquisa combina a análise documental de reportagens e editoriais publicados entre fevereiro e outubro de 2020 pelos jornais Folha de S.Paulo e de O Estado de S. Paulo para analisar como a cobertura apresentou a comunidade carente de Paraisópolis.
Em “Economia da cultura: um olhar para a atuação do Sesc na cidade de São Paulo”, Alice Hudson Braga analisa a produção, a circulação e o consumo de bens culturais e seus impactos sociais, políticos e econômicos.
O estudo toma como objeto a atuação do Serviço Social do Comércio (Sesc) na capital paulista e conclui que a instituição exerce papel complementar ao do Estado na promoção da cultura e do bem-estar social.
A revista apresenta ainda “A trajetória de Tiu França: extremismo, redes sociais e a política do sofrimento”, de Douglas Machado Simão. O artigo examina a trajetória de Francisco Wanderley Luiz, conhecido como Tiu França, relacionando aspectos individuais a um contexto de polarização, ressentimento, fragilização dos vínculos coletivos e perda de confiança nas instituições.
José Victor Ladislau da Silva Batista assina “Com tucanos só se vive duas vezes: a ligação entre o declínio do PSDB e a ascensão do bolsonarismo”. O estudo recupera a trajetória do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e analisa as mudanças que reduziram seu protagonismo no sistema político nacional.
Submissões abertas
A Alabastro recebe artigos científicos, resenhas, entrevistas, análises de materiais audiovisuais e produções poético-literárias relacionadas às Ciências Humanas. Interessados já podem submeter trabalhos via formulário eletrônico disponível na plataforma OJS. A equipe editorial pretende publicar a 17ª edição em dezembro de 2026.
Os trabalhos enviados passam pela análise da equipe editorial e, quando aprovados nessa primeira etapa, são encaminhados aos pareceristas. As orientações aos autores e as condições para submissão estão disponíveis na página da revista.

