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Especialistas e gestores discutem desafios do acolhimento da população em situação de rua em SP

Resultados preliminares de pesquisa produzida pela Fundação para mapear ações voltadas a pessoas em situação de rua nos 644 municípios paulistas são apresentados durante evento em parceria com a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social de São Paulo

A Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) promoveu, na sexta-feira (14/8), um seminário para apresentar resultados preliminares de uma pesquisa sobre as ações de atenção à população em situação de rua nos municípios paulistas. Realizado em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo (SEDS), o evento ocorreu no auditório do campus da Fundação, na Vila Buarque, e reuniu gestores públicos, pesquisadores, ativistas e especialistas.

O seminário intitulado “Acompanhamento e monitoramento da atenção à população em situação de rua no Estado de São Paulo” abordou os desafios enfrentados pelos municípios e os caminhos para fortalecer as políticas públicas destinadas a essa população.

O encontro teve como ponto de partida os resultados preliminares do levantamento “Qualificação das Ações da Política de Assistência Social Destinadas à População em Situação de Rua”, conduzido pela FESPSP. O objetivo é mapear ações voltadas à população em situação de rua nos 644 municípios paulistas.

Participaram representantes da SEDS, das Diretorias Regionais de Assistência e Desenvolvimento Social (DRADS) e do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Estadual para a População em Situação de Rua do Estado de São Paulo (CIAMP – Rua SP).

A professora Aldaíza Sposati, coordenadora técnica da pesquisa, destacou que o seminário foi pensado como um espaço de troca entre municípios que frequentemente enfrentam desafios semelhantes, mas nem sempre têm oportunidades de diálogo.

“O mais importante é que estamos começando a construir uma leitura conjunta sobre o que está acontecendo no estado. Isso permite enxergar problemas comuns e pensar caminhos coletivos”, afirmou a docente, professora titular sênior da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Para o jornalista e filósofo Alderon Pereira Costa, cofundador da Associação Rede Rua, um dos pontos altos do encontro foi reunir pessoas com experiências distintas em torno do mesmo tema.

“Quando você escuta quem trabalha com saúde, quem atua na assistência social, quem pesquisa e quem já viveu a experiência da rua, a discussão ganha profundidade. As soluções não aparecem de um lugar só”, avaliou Costa, que participa do Fórum da Cidade em Defesa da População de Rua de São Paulo e escreve para o Jornal Trecheiro.

Sociedade civil em ação

Entre os dados da sondagem que foram apresentados, destacou-se a participação das organizações da sociedade civil na oferta de atendimento à população em situação de rua. Segundo Aldaíza, esse cenário reforça a importância dessas instituições, mas também evidencia a necessidade de maior articulação entre os diferentes atores envolvidos.

A moradia foi outro tema que ocupou posição de destaque. Na avaliação de Alderon, ela representa uma das principais portas de entrada para o acesso a direitos. “Ter uma casa muda muita coisa. Facilita o acesso ao trabalho, à saúde, aos estudos e permite que a pessoa volte a planejar a própria vida.”

Ao longo do dia, as discussões foram além dos resultados da pesquisa. Saúde, moradia, trabalho e garantia de direitos foram assuntos recorrentes nas falas dos convidados.

Especialistas debatem direitos e políticas públicas

A palestra “Direitos Humanos e População de Rua” foi ministrada por Eduardo Valério e Cristiane Souza Hilal, promotores de Justiça e integrantes do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A apresentação tratou de temas como inclusão social e combate à discriminação.

O médico sanitarista Nivaldo Carneiro Júnior apresentou “Saúde da População em Situação de Rua”. Professor do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP), ele falou sobre gestão pública de saúde, políticas sociais e atendimento a populações em situação de vulnerabilidade.

Pesquisador urbano, ativista social e engenheiro civil, Luiz Tokuzi Kohara ministrou “Habitação para População em Situação de Rua – Morar Primeiro”. Durante a apresentação, compartilhou com o público suas experiências na defesa dos direitos das populações vulneráveis, especialmente trabalhadores informais e pessoas em situação de rua. Kohara é cofundador da organização não governamental Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos.

A Profa. Dra. Luciana Marin Ribas, integrante da Coordenadoria de Extensão da Fundação Getulio Vargas Direito SP (FGV Direito SP), apresentou o painel “Trabalho para População em Situação de Rua”. A exposição abordou os direitos da população em situação de rua, além da gestão e do desenvolvimento de projetos de impacto social.

A participação social foi discutida pela ativista Roseli Kraemer Esquillaro na palestra “Participação Social da População em Situação de Rua”. Líder comunitária e conselheira do Comitê Intersetorial da Política Municipal para a População em Situação de Rua (Comitê PopRua), da Prefeitura de São Paulo, Roseli falou sobre sua atuação na defesa dos direitos dessa população na maior metrópole brasileira.

O seminário contou ainda com a apresentação “Comunicação e Mobilização Social”, conduzida por Alderon Costa. O ativista social e liderança na formulação de políticas públicas abordou possibilidades de ampliar o alcance de mensagens em defesa dos direitos da população em situação de rua.


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